A ideia de navegar por sites, comparar preços e decidir manualmente uma compra pode estar com os dias contados. No lugar desse modelo, começa a ganhar espaço o chamado agent commerce, em que o consumidor pode delegar a agentes de inteligência artificial a jornada de consumo, da busca pelo produto até o pagamento.
Essa transformação foi tema do Revolução IA, programa do NeoFeed com apoio do Magalu Cloud, que recebeu Frederico Succi, vice-presidente de produtos e inovação da Visa no Brasil.
A empresa realizou a primeira transação real no Brasil com esse modelo, utilizando credenciais seguras e autenticação biométrica, em parceria com o Banco do Brasil. E a perspectiva é que a novidade esteja disponível para amplo uso já no segundo semestre deste ano.
“Você pode dizer: gostaria de comprar uma passagem para Buenos Aires… e no momento em que ele achar alguma coisa, ele faz a compra em seu nome”, explicou Succi.
O novo modelo muda não só o comportamento do consumidor, mas também a lógica do varejo digital. Hoje, as empresas disputam espaço nos mecanismos de busca, como o Google. Em um futuro bem próximo, precisarão disputar também a preferência dos agentes de IA.
A adoção, porém, depende ainda de uma adaptação profunda de todo o ecossistema para garantir que essas transações sejam reconhecidas como legítimas, seguras e autorizadas, evitando que sejam tratadas como fraude ou atividade automatizada indevida.
Em paralelo, os próprios consumidores precisarão se acostumar com a ideia de delegar decisões de compra, o que Succi acredita que não deve ser um problema, já que o brasileiro é ávido por experimentar novas tecnologias.
“Toda nova tecnologia não é apenas uma questão de infraestrutura, é uma questão de cultura e de amadurecimento”, afirmou Succi.
Nessa nova era, o sucesso do e-commerce vai depender não só da disputa pela atenção do consumidor, mas também da preferência da inteligência artificial.



